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Introdução
No momento atual, o Calendário de Vacinação
ideal para o nosso meio é o preconizado pela Sociedade Brasileira
de Pediatria, através do seu Departamento de Infectologia,
em 1998 (Quadro 1). Visa a prevenção das principais
doenças imunopreveníveis que incidem entre nós,
incluindo algumas vacinas ainda não contempladas pelo Programa
Nacional de Imunizações. Como todo calendário,
este deve ser dinâmico, adaptando-se às peculiaridades
individuais e epidemiológicas do momento. A seguir, apresentamos
algumas considerações sobre a dinâmica e a atualização
de cada vacina.
Quadro 1 -
Calendário de vacinação - SBP
Vacina BCG
Embora possa ser aplicada em pessoas de qualquer idade, a vacina
BCG, contra tuberculose, deve ser administrada precocemente, se
possível na maternidade, ou no primeiro mês de vida,
ou, ainda, quando da primeira visita ao Serviço de Saúde.
Deve ser aplicada no braço direito, na altura de inserção
do músculo deltóide. No local da aplicação,
ocorre uma seqüência de reações, com evolução
da lesão vacinal até resultar em uma pequena cicatriz.
Caso não haja formação da cicatriz, decorridos
seis meses da aplicação de BCG, está indicada
uma nova dose da vacina.
Devido ao aumento dos casos de tuberculose, o Ministério
da Saúde passou a recomendar a revacinação
de todas as crianças entre sete e 10 anos de idade. Por haver
controvérsia, alguns estados (por exemplo São Paulo)
não adotaram a revacinação(). Enquanto são
aguardados estuos em curso, a aplicação ou não
desta segunda dose deve obedecer à política regional
de saúde (Estadual, Municipal).
A BCG é utilizada desde 1921 e até hoje é
uma vacina controversa, com muitos questionamentos quanto à
sua eficácia e duração de imunidade. Várias
estratégias são adotadas em relação
à utilização do BCG, desde o abandono do seu
uso em alguns países, até várias doses de reforço
em outros. Em alguns programas o teste tuberculínico negativo
tem sido usado como um indicador de necessidade de revacinação
com BCG. No entanto, não existe uma correlação
estreita entre a negativação do PPD e perda de imunidade
protetora. Também não há evidências de
benefícios com o uso repetido da vacina BCG.
A Organização Mundial da Saúde, em seu último
documento sobre a revacinação com BCG para a prevenção
da tuberculose(), declara que, em pessoas que receberam BCG, a repetição
da vacina não está recomendada, uma vez que não
há evidências científicas que dêem sustentação
a esta prática. Múltiplas revacinações
não estão indicadas em nenhuma pessoa.
Vacina contra Hepatite B
A vacina contra hepatite B deve ser administrada de preferência
dentro das primeiras 24 horas de vida, ou, ao menos, antes da alta
da maternidade. A vacina pode ser feita em qualquer idade, com intervalo
de um mês entre a primeira e a segunda doses e de seis meses
entre a primeira e a terceira doses (0 - 1 - 6 meses).
Em setembro de 1998 a vacina contra hepatite B foi incluída
no Calendário Básico de Imunização de
todos os Estados. Além do esquema recomendado de três
doses - ao nascimento, com um mês e com seis meses de idade
- outros esquemas são sugeridos para melhor adaptação
ao calendário vacinal:
Quadro 2-
Esquemas sugeridos para melhor adaptação ao calendário
vacinal
Um esquema alternativo de quatro doses (0, 1, 2 e 6 a 12 meses)
pode também ser utilizado, particularmente quando se necessita
de uma imunização mais rápida. É também
recomendada para pacientes dializados().
Até o momento, sabe-se que pessoas imunocompetentes, imunizadas
adequadamente, não necessitam de doses de reforço
da vacina contra a hepatite B. Nos dializados, os níveis
de anticorpos anti-Hbs devem ser dosados periodicamente, e uma dose
de reforço deve ser administrada quando as concentrações
de anti-Hbs forem menores que 10 mUI/ml.
Vacinas disponíveis
Duas vacinas contra hepatite B, produzidas por tecnologia de recombinação
de DNA, estão disponíveis no mercado: Recombivax®
(Merck Sharp & Dohme) e Engerix® (Smith Kline Beecham).
A apresentação pediátrica é recomendada
até 19 anos e a de adulto, acima de 20 anos.
Deve-se observar que indivíduos com doença renal
crônica, dializados e imunocomprometidos recebem o dobro da
dose normal. Já está licenciada em nosso meio a formulação
especial para pacientes dializados (Recombivax® 40 µg),
utilizado em esquema de três doses (0-1-6 meses)
As duas vacinas contra hepatite B são equivalentes e podem
ser permutadas para completar um esquema de imunização
primária. Assim, não é necessário que
todas as três doses sejam do mesmo laboratório produtor.
Como o esquema primário de vacinação contra
hepatite B é longo, freqüentemente se observam atrasos
nas doses agendadas. À semelhança de outras vacinas
como DPT e pólio, não existe intervalo máximo
entre as doses, devendo-se retomar a vacinação a partir
da interrupção. No entanto, os intervalos mínimos
entre as doses devem ser respeitados: de um mês entre a primeira
e a segunda dose, de seis meses entre a primeira e a terceira dose,
e de dois meses entre a segunda e a terceira dose.
Quadro 3 -
Vacinas disponíveis contra a hepatite B
Vacina contra poliomielite
O esquema de três doses da vacina oral contra poliomielite
(VOP) aos 2-4-6 meses, seguido de duas doses de reforço,
já é consagrado em nosso meio. Aliada às campanhas
de vacinação em massa, esta vacina erradicou a poliomielite
do nosso meio.
Em países onde a pólio ainda prevalece, a OMS recomenda
uma dose suplementar de VOP ao nascimento(),
além da importante implementação dos Dias Nacionais
de Vacinação. Com essas medidas, a meta da Organização
Mundial da Saúde é de erradicação global
da poliomielite até o ano 2000.
Não há dúvidas quanto à eficácia
das estratégias com o uso da vacina oral na erradicação
da pólio. A questão atual reside sobre os raros casos
de paralisia associados à vacina oral. Por se tratar de uma
vacina viva atenuada, pode ocasionar, eventualmente, casos de paralisia
em pessoas vacinadas ou seus contactantes. O risco é baixo,
de 1 caso para 2,4 milhões de doses aplicadas, sendo maior
na primeira dose (1 / 750.000) e em pessoas imunodeficientes.
Dessa forma, recomenda-se o uso da vacina inativada contra pólio
(VIP) para crianças imunodeficientes, ou crianças
normais em contacto domiciliar com imunodeficiente. Para estes casos,
a vacina inativada contra poliomielite encontra-se disponível
nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais
(CRIEs).
Recentemente, alguns países como Israel, Canadá,
Estados Unidos e outros, modificaram a política de vacinação
contra pólio, adotando o esquema seqüencial que consiste
de duas doses iniciais com vacina VIP e demais doses com vacina
VOP, a fim de minimizar o risco de paralisia associada à
vacina e manter a imunidade populacional contra o risco potencial
de introdução de poliovírus selvagem. O esquema
seqüencial foi introduzido nos Estados Unidos em 97(), mantendo
como opcionais o esquema completo com VOP ou com VIP.
Em 98 foram notificados ainda quatro casos de paralisia vacinal,
todos relacionados com as duas primeiras doses do esquema com VOP.
Dessa forma, a nova recomendação americana para 1999
consta apenas do esquema seqüencial (VIP/VOP) para imunização
contra poliomielite.
No Brasil, temos notificados alguns poucos casos de paralisia associada
à vacina. A erradicação da poliomielite em
nosso meio é recente, assim como é débil ainda
o sistema de vigilância e notificação dos casos
de paralisia aguda flácida, essencial para o controle da
pólio. Entre nós, é fundamental a continuidade
de elevada cobertura vacinal com VOP, mantendo adequada a imunidade
coletiva contra poliomielite().
Vacina DPT (difteria, coqueluche e tétano)
A vacinação combinada contra difteria, coqueluche
e tétano, com uso de vacina tríplice (DPT), consta
de três doses para imunização primária,
com aplicação inicialmente recomendada aos dois, quatro
e seis meses de idade, além de duas doses de reforço,
sendo a primeira seis a 12 meses após o término da
vacinação básica, e o segundo reforço
aos cinco ou seis anos de idade.
A idade mínima para início da vacinação
DPT é de um mês, abaixo da qual há prejuízo
da imunogenicidade da vacina. Também, o intervalo mínimo
entre as doses é de 30 dias e não há intervalo
máximo a ser respeitado, o que significa que em caso de atraso
vacinal, não há necessidade de reinício do
esquema.
A vacina DPT pode ser aplicada em crianças até seis
anos e 11 meses; acima dos sete anos deve-se utilizar a vacina tipo
dupla adulto (dT). Com o passar do tempo, há queda dos níveis
de anticorpos, havendo necessidade de uma dose de reforço
a cada 10 anos.
A vacina é eficaz, com drástica redução
dos casos destas doenças após sua introdução.
O problema reside nos eventos adversos decorrentes do seu uso(),
geralmente atribuídos ao componente pertussis.
Os seguintes eventos adversos sistêmicos estão relacionados
à vacina DPT:
- febre alta;
- choro persistente;
- convulsão;
- síndrome hipotônico-hiporresponsiva;
- encefalopatia;
- choque anafilático.
A febre alta e o choro persistente não constituem contra-indicação
à dose subseqüente de DPT, devendo-se ter precaução,
com a administração de antitérmico antes da
aplicação da vacina e depois, periodicamente, durante
24 a 48 horas após a vacinação. Em caso de
convulsão, síndrome hipotônico-hiporresponsiva
e encefalopatia, a vacina DPT estará contra-indicada, devendo-se
dar continuidade ao esquema, substituindo a DPT por dupla tipo infantil
(DT). Na ocorrência do choque anafilático, contraindica-se
para sempre todos os componentes da vacina.
Atualmente, dispõe-se de uma vacina tríplice com
componente pertussis acelular (DPT acelular) muito menos reatogênica
e com alta eficácia(). Em alguns países, ela já
está introduzida na rotina a partir dos dois meses, sendo
a vacina de escolha para a imunização contra difteria,
pertussis e tétano. Em nosso meio, devido ao seu custo ainda
elevado, não deverá ser incluída tão
cedo no calendário básico do Programa Nacional de
Imunização. A vacina DPT acelular pode ser utilizada
como alternativa em crianças que apresentaram reações
à dose anterior com DPT de células inteiras, particularmente
convulsão ou síndrome hipotônico-hiporresponsiva().
Vacina contra Haemophilus influenzae tipo
b (Hib)
O Haemophilus influenzae tipo b (Hib), entre nós, é
o principal agente etiológico de meningites bacterianas:
é o agente que prevalece na faixa etária de dois meses
aos cinco anos de idade, com um coeficiente de letalidade de cerca
de 10%. Das crianças que sobrevivem ao acometimento meníngeo,
25% a 50% permanecem com seqüela neurológica como surdez,
retardo mental, perda de visão e alterações
de motricidade.
Em maio de 1985, foi liberada nos EUA uma vacina constituída
pelo polissacáride capsular (poliribosilfosfato-PRP) purificado
do Hib. Estudo randomizado feito com 50.000 crianças finlandesas
mostrou a eficácia da vacina em crianças maiores de
dois anos, e sua ineficácia em menores de 18 meses. O efeito
protetor foi bem menor quando aplicada à crianças
entre 18 e 24 meses de idade().
Os estudos têm demonstrado eficácia adequada abaixo
dos 18 meses de idade de novas vacinas contra Hib, associadas a
adjuvantes. Com isso, as mudanças de conduta em relação
à vacinação contra Hib têm ocorrido de
modo extremamente rápido. No final do ano de 1990, a Academia
Americana de Pediatria já indicava a vacinação
de crianças a partir de 15 meses de idade (dose única).
No ano de 1991, a Academia modificou novamente sua orientação,
indicando vacinação a partir dos dois meses de idade,
em duas ou três doses na vacinação básica
(dependendo do produto vacinal) e um reforço aos 15 meses
de idade().
Atualmente, no nosso país, há três vacinas
liberadas para aplicação em crianças a partir
de dois meses de idade: a Act-HIB® da Pasteur Mérieux
e a Hibtiter® (HbOC) da Lederle-Praxis, indicadas em três
aplicações aos dois, quatro e seis meses de idade
e um reforço aos 15 meses, e a PedvaxHIB® (PRP-OMP) da
Merck Sharp Dohme, indicada em duas aplicações aos
dois e quatro meses de idade e um reforço, que pode ser aplicado
a partir de 12 meses. Crianças que iniciam a vacinação
no segundo semestre de vida devem receber somente duas doses de
qualquer apresentação, seguida de reforço cerca
de seis a 12 meses após. As que não receberam nenhuma
dose da vacina antes dos 12 deverão receber somente uma dose.
No reforço após 12 meses, podem ser utilizadas tanto
as vacinas Act-HIB®, HibTITER® e PedvaxHIB® como a ProHIBit®
(PRP-D) do laboratório Connaught.
A vacina Act-HIB®, liofilizada, pode ser reconstituída
com vacina DPT produzida pelos laboratórios Pasteur Mérieux
ou Connaught, ou com a TETRACOQ®. Crianças maiores de
cinco anos de idade serão vacinadas quando forem consideradas
de alto risco: com asplenia anatômica ou funcional, anemia
falciforme, esplenectomizados ou com linfoma de Hodgkin.
Nos pacientes com doença de Hodgkin, a vacina deve ser aplicada
cerca de duas semanas antes do início da quimioterapia ou,
se não for possível, três meses após
cessado o tratamento quimioterápico.
A vacina contra Hib é praticamente inócua. Febre
maior que 38oC e reações locais leves ocorrem respectivamente
em 1% e 1,5% dos vacinados.
A imunização contra Hib já faz parte do calendário
da Sociedade Brasileira de Pediatria há alguns anos e, neste
ano (1999), após diversas gestões junto aos órgãos
oficiais, vemos premiada a nossa luta, com a introdução
da vacina no Calendário do Programa Nacional de Imunizações,
aplicável a todos os estados brasileiros.
Atualmente estão sendo desenvolvidas, e já em utilização,
vacinas polissacarídicas conjugadas contra Hib, associadas
à vacina tríplice (DPT), o que permite facilitar o
emprego racional na comunidade sem aumentar o custo operacional.
Vacina tríplice viral
A vacina tríplice viral, contra sarampo, caxumba e rubéola,
foi licenciada no início da década de 70. As vacinas
licenciadas contêm vírus vivos atenuados de sarampo
(cepas Moraten, Schwarz, AIK-C ou CAM-70), vírus vivos atenuados
de caxumba (cepas Jeryl Lynn, Urabe AM/9, Leningrado-Zagreb ou Rubini)
e vírus vivos atenuados de rubéola (RA 27/3, TO-336).
As principais cepas vacinais de sarampo e caxumba são cultivadas
em fibroblastos de embrião de galinha, enquanto a cepa RA
27/3 de rubéola é cultivada em células diplóides
humanas.
Assim, a vacina tríplice viral pode conter traços
de proteína animal ou albumina humana. Além de estabilizadores,
apresenta na sua composição antibióticos como
neomicina ou kanamicina.
Os eventos adversos imediatos de hipersensibilidade após
a administração da vacina tríplice viral são
extremamente raros. Por ser cultivada em embrião de galinha,
podem ocorrer reações de hipersensibilidade a antígenos
relacionados ao ovo. É contra-indicada apenas em pessoas
com história de reação anafilática após
ingestão de ovo, podendo, no entanto, ser administrada com
segurança em pessoas com outras manifestações
alérgicas ao ovo(). Da mesma forma, há o risco de
reação de hipersensibilidade à neomicina contida
na formulação da vacina, em pessoas com reação
anafilática a este antibiótico.
As manifestações sistêmicas associadas à
vacina de vírus vivos atenuados ocorrem em geral dias após
sua administração, tempo necessário para um
período de incubação.
Após uma semana a 10 dias da aplicação, pode
ocorrer em algumas crianças quadro catarral rinofaríngeo,
com duração média de quatro dias. Em 5% dos
vacinados ocorre também exantema, com duração
de dois a quatro dias e de evolução benigna.
Artralgia e artrite - o comprometimento articular (dedos, joelhos,
pulso, cotovelo) começa sete a 21 dias após a vacinação
e é geralmente transitório. Acomete principalmente
mulheres suscetíveis à rubéola (25%) sendo
bem mais raro em crianças (0,5%).
Parotidite - a ocorrência da parotidite, entre
sete a 14 dias após a aplicação da tríplice
viral, está relacionada à vacina contra a caxumba,
podendo ocorrer em até 2% dos vacinados. O quadro é
benigno e de curta duração.
Meningoencefalite - Pode aparecer 11 a 35 dias após
a vacinação, associada à vacina contra a caxumba.
A incidência de meningite asséptica associada à
cepa Urabe AM-9 é bem superior àquela devida à
cepa Jeryl Lynn, porém sua eficácia também
é superior, fato importante para programas de imunização
em massa(). A evolução é geralmente benigna.
Púrpura trombocitopênica - os raros
casos descritos na literatura relacionados à vacina tríplice
viral ocorreram depois de 21 dias da vacinação, com
evolução benigna.
Estudo recente (1996), através da meta-análise de
estudos já publicados sobre falha secundária da vacina
contra o sarampo, concluiu ser esta bastante rara, com taxa inferior
a 0,2%().
Portanto, a recomendação de uma segunda dose da vacina
tríplice viral aos 4-6 anos ou aos 11-12 anos vem incrementar
a cobertura vacinal (crianças que ainda não foram
imunizadas) e, basicamente, suprir as falhas primárias da
vacina contra o sarampo, estimadas em 3% a 5%.
Esta estratégia vem sendo adotada nos Estados Unidos e outros
países desenvolvidos, com sucesso, desde 1989, com redução
drástica dos casos de sarampo. A segunda dose da vacina tríplice
viral contribuiu também, positivamente, para o controle de
rubéola e caxumba.
No Brasil, a vacina tríplice viral foi introduzida no Calendário
Vacinal do Estado de São Paulo em 1992, e depois sucessivamente
nos diversos estados, estando hoje incluída no Calendário
do Programa Nacional de Imunizações, com uma dose
única administrada aos 15 meses de idade. Para suprir as
falhas primárias da vacina e evitar o aparecimento de surtos
com o aumento do pool de susceptíveis, a Sociedade
Brasileira de Pediatria passou a recomendar, a partir de 1998, a
administração de uma segunda dose da vacina tríplice
viral entre os seis e os 10 anos de idade.
Vacina contra Varicela
A vacina contra varicela foi desenvolvida no Japão por M.
Takahashi em 1974. Desde esta época, diversos estudos têm
sido realizados em todo o mundo, tanto em crianças saudáveis
e adultos, como em imunocomprometidos. Os resultados obtidos mostram
ser a vacina altamente efetiva, com taxas de soroconversão,
após a aplicação de uma dose da vacina, acima
de 95% em crianças saudáveis acima de um ano de idade,
e em torno de 85% em crianças imunocomprometidas e em adultos().
Disto resulta a indicação, nestes dois últimos
grupos, da aplicação de duas doses com intervalo mínimo
de um mês. Já há evidências da persistência
adequada de proteção por pelo menos vinte anos após
a aplicação da vacina().
As reações são pouco freqüentes, limitando-se,
no geral, a febre auto-limitada e exantema. Este ocorre em 4% a
5% de crianças saudáveis vacinadas, em contraste com
leucêmicos, que apresentam exantema em cerca de 40% a 50%
dos casos, mas sem maiores conseqüências(). Nos adultos,
o exantema aparece em cerca de 10% dos casos. O exantema pós-vacinal
muitas vezes não é vesicular, simulando muito mais
um quadro alérgico.
A transmissão do vírus vacinal a partir de crianças
saudáveis vacinadas raramente ocorre, mas crianças
leucêmicas vacinadas que venham a apresentar exantema chegam
a transmitir o vírus a susceptíveis em cerca de 17%
dos casos().
Alguns países como Japão, Coréia e EUA introduziram
a vacina nos seus calendários oficiais de vacinação
para aplicação rotineira a partir de um ano de idade.
Outros países, principalmente europeus, só a liberaram
para aplicação em pacientes de risco. O custo da vacina
tem sido um fator limitante para sua administração.
No nosso meio, desde que haja condições, o Departamento
de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria tem indicado
a sua aplicação a partir de um ano de idade. A introdução
da vacina em nível de saúde pública deve ser
um objetivo a ser perseguido, principalmente quando estiver disponível
a vacina quádrupla viral (sarampo, rubéola, caxumba
e varicela), o que não implicará em aumento do ônus
operacional. Laboratórios produtores prevêem que já
no início do próximo milênio esta combinação
de vacinas estará disponível.
Vacina contra hepatite A
A vacina contra hepatite A é também outra vacina
recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria para aplicação
a partir de um ano de idade. A vacina é altamente imunogênica,
praticamente destituída de riscos e é aplicada em
duas a três doses, dependendo do produto utilizado19. No nosso
meio, dois produtos estão licenciados, a Havrix®, do
laboratório SmithKline Beecham e a Vaqta®, do laboratório
Merck Sharp & Dohme, esta para aplicação somente
após os dois anos de idade.
A indicação da vacinação contra hepatite
A vai depender em muito da condição epidemiológica
local().
Em populações de baixo nível socioeconômico,
vivendo em condições inadequadas do ponto de vista
de saneamento, a possibilidade de as crianças adquirirem
a infecção viral em idades muito precoces, freqüentemente
abaixo de um ano de idade, é muito alta. Já crianças
de populações de nível socioeconômico
mais alto, vivendo em condições sanitárias
melhores, têm muito menos chance de entrar em contato com
o vírus da hepatite A. A porcentagem destas que vai chegar
à idade adulta sem anticorpos contra a infecção
é muito alta, ao contrário das procedentes de populações
de baixo nível socioeconômico. Isso tem sido demonstrado
de modo claro em diversas partes do mundo e também em trabalhos
realizados em nosso país.
Na situação atual, achamos que esta vacina deve ser
indicada para crianças com baixo risco de contraírem
a infecção em idades precoces (nível socioeconômico
alto). O investimento em saneamento básico deve ser uma prioridade
em nosso país, fazendo com que haja uma diminuição
importante do risco de populações mais desfavorecidas
contraírem a hepatite A em idades precoces. No momento em
que tivermos essas condições, achamos que a vacinação
contra hepatite A deve ser estendida a toda a população.
Vacina contra febre amarela
A febre amarela urbana está eliminada do nosso país
desde a década de 40, com o desaparecimento concomitante
do vetor, o Aedes aegypti. Nos últimos anos, com o progresso
dos meios de transporte, assistimos à reintrodução
do vetor em nosso país, disseminando-se praticamente sem
nenhum controle. O número de casos de dengue, virose também
transmitida pelo mesmo vetor, aumenta em todo o país. Como
a febre amarela continua presente em nosso país na sua forma
enzoótica, em regiões florestais, constituindo o ciclo
silvestre da virose(),
existe o receio de que, com a presença maciça do Aedes
aegypti em certas regiões do país, vejamos ressurgir
a febre amarela urbana. Devido a esse risco, a vacinação
contra febre amarela tem sido cada vez mais indicada, principalmente
em locais onde o índice da presença do vetor é
muito alto e em regiões fronteiriças com áreas
onde a presença da febre amarela silvestre é mais
evidente. Em diversas regiões do país a vacina de
febre amarela já faz parte do calendário vacinal.
Discute-se nos órgãos técnicos do Ministério
da Saúde a sua inclusão na rotina de imunização
da população de nosso país.
A vacinação contra febre amarela é feita com
uma única dose de vacina de vírus atenuado, cepa 17D,
aplicada por via subcutânea em maiores de seis meses de idade,
com proteção duradoura por 10 anos().
Como não
há interferência com a vacina de sarampo, a aplicação
pode ser simultânea. Isso facilita a operacionalização
em áreas endêmicas, onde a aplicação
das duas vacinas pode ser feita aos nove meses de idade. A vacina
é termolábil, devendo ser aplicada no máximo
quatro horas após a sua reconstituição(), o
que é um complicador operacional.
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