| Introdução
A detecção de alterações na ausculta
cardíaca, principalmente o sopro, é o motivo mais
freqüente de encaminhamento para o cardiologista, seguido da
queixa de dor torácica e síncope ().
É indiscutível que o parecer do cardiologista é
o padrão-ouro para o diagnóstico das cardiopatias,
porém, como na maioria das vezes tais alterações
representam variações da normalidade e sopros inocentes,
torna-se importante uma avaliação pediátrica
mais adequada, que evite encaminhamentos e exames desnecessários.
Deve-se enfatizar que o exame do sistema cardiovascular vai além
da ausculta cardíaca, e alterações como diferenças
na palpação dos pulsos, são sugestivas de doenças
e devem ser valorizadas. Por outro lado, deve-se lembrar que os
exames subsidiários solicitados podem revelar alterações
que devem ser interpretadas considerando-se as características
especiais da criança. Exames por imagem, como ecocardiograma,
cada vez mais elaborados, revelam certos achados que são
considerados como variações da normalidade, mas que
podem ser difíceis de serem entendidas como tal pelo paciente
e sua família ().
As anormalidades no desenvolvimento do sistema cardiovascular são
responsáveis por um amplo espectro de efeitos clínicos,
sendo conhecido que malformações estruturais complexas
podem causar morte fetal ou serem diagnosticadas nas primeiras semanas
ou meses de vida, a partir de sintomatologia de descompensação
cardiocirculatória. Na transição para a vida
pós-natal, deixa de existir a predominância do coração
direito, cessa a circulação placentária, modifica-se
a resistência arterial pulmonar e instala-se a circulação
dependente do coração esquerdo; neste momento, malformações
compensadas na vida intra-uterina tornam-se hemodinamicamente instáveis,
originando quadros clínicos que irão direcionar para
o seu diagnóstico. Porém uma parte das malformações
cardiovasculares congênitas permanece assintomática
nesta transição, e seu quadro clínico surge
mais tardiamente, como as comunicações intercâmaras
e as miocardiopatias hipertróficas, cuja herança genética
é muito heterogênea e será reconhecida somente
na vida adulta e/ou sob condições especiais. Malformações
mínimas, como válvula aórtica bicúspide,
só serão descobertas se forem local de processo infeccioso,
como endocardite, ou estenose ().
Conhecendo-se tais características evolutivas das doenças
cardiovasculares, é previsível que, diante de certas
queixas, sinais e sintomas e/ou alterações auscultatórias,
o pediatra irá se preocupar em diagnosticar uma cardiopatia
congênita ou adquirida que permaneceu assintomática
até aquele momento.
Assim, diante de certas situações clínicas
e/ou alterações na ausculta cardíaca, o pediatra
deverá ter uma sistematização de abordagem
que lhe permita diferenciar entre as variações da
normalidade e possíveis doenças cardiovasculares que
necessitam de diagnóstico pelo cardiologista, e decidir sobre
a urgência deste encaminhamento.
Abordagem
inicial dos sopros cardíacos
Sabe-se que a incidência das cardiopatias congênitas
é menor que 1%, ocorrendo em 8 a 12 /1.000 nascidos vivos,
exceto prematuros. As mais freqüentes são as acianogênicas
e, portanto, aquelas que são menos sintomáticas e
de diagnóstico mais difícil, a menos que ocorram em
associação com outras malformações cardiovasculares,
o que é freqüente nas comunicações interventriculares
e interatriais e nas estenoses de válvula aórtica
(,)
(Tabela 1). Por outro lado, as cardiopatias adquiridas têm
ocorrência variável de acordo com a população
estudada, e doenças como febre reumática, miocardites,
endocardites e outras têm maior incidência à
medida em que a criança é mais exposta aos agentes
infecciosos, e adoece mais por outras patologias sistêmicas
().
As cardiopatias adquiridas, como as congênitas, também
podem se apresentar mais tardiamente, sobretudo nos pacientes que
têm atividades físicas extenuantes. A doença
de Kawasaki, por exemplo, pode ser causa de infarto, valvulopatia
e aneurismas coronarianos e sistêmicos, após ter permanecido
assintomática durante muitos anos ().
Tabela 1-
Freqüência das cardiopatias congênitas
As alterações da ausculta cardíaca mais comuns
na infância são os sopros, ou seja, sons gerados por
ondas sonoras turbulentas originadas do coração e/ou
do sistema vascular, e que devem ser diferenciadas das alterações
do ritmo cardíaco, cuja avaliação laboratorial
segue uma abordagem diferente. O sopro cardíaco inocente
é a alteração da ausculta que ocorre na ausência
de anormalidade anatômica e/ou funcional do sistema cardiovascular,
sabendo-se que 50% a 70% das crianças terão, em algum
momento da infância e adolescência, uma alteração
auscultatória que será reconhecida como sopro, a maioria
na idade escolar.
Geralmente, os sopros são detectados em consultas de rotina,
ou durante atendimentos de problemas comuns, como quadros infecciosos
febris, anemia e outros (,).
Estas situações geram questões como: possível
existência prévia do sopro e/ou modificação
das suas características; possibilidade de a patologia atual
estar causando lesão definitiva no sistema cardiovascular
previamente normal; possibilidade de estar ocorrendo um sopro inocente
exacerbado por um estado hipercinético; possibilidade de
um sopro, associado a uma cardiopatia, estar exacerbado pela mesma
condição e outras. Assim, a abordagem deve considerar
estas possibilidades, e podem ser priorizadas algumas situações
que serão avaliadas com maior cuidado em função
do risco de ocorrência de doença cardiovascular ()
.
Inicialmente, tem-se que a detecção de alteração
auscultatória no recém-nascido ou na criança
nos primeiros seis a 12 meses de vida necessita uma investigação
mais detalhada. Aproximadamente 50% dos prematuros com peso abaixo
de 1.500g têm cardiopatia, geralmente persistência do
canal arterial (PCA), e quanto menor o peso de nascimento, maiores
as chances deste evento. Por outro lado, os recém-nascidos
grandes para a idade gestacional, geralmente filhos de mães
diabéticas, têm maior risco de cardiopatias como transposição
de grandes artérias (TGA), e os com baixo peso ao nascer
podem ter acometimento cardiovascular associado à patologia
que causou o acometimento intra-uterino, como síndrome genética
ou infecção congênita (,).
Outro motivo para atenção especial com este grupo
é que a sintomatologia de descompensação das
cardiopatias congênitas (insuficiência cardíaca
congestiva) nas crianças menores é pouco específica.
As manifestações iniciais podem ser dificuldade para
se alimentar, sudorese de pólo cefálico durante a
amamentação, icterícia prolongada, desconforto
respiratório e outras. Também nesta faixa etária,
tem-se que as alterações de ausculta relacionadas
a lesões obstrutivas podem ser audíveis ao nascimento,
mas aquelas devidas a shunts (comunicações
intercâmaras) poderão ser detectadas mais tardiamente,
quando terminam as modificações na circulação
pulmonar. Por estas considerações, recomenda-se que
os recém-nascidos e crianças no primeiro ano de vida
sejam avaliadas pelo cardiologista sempre que tiverem sintomatologia
e/ou achados de exame físico sugestivos de cardiopatia, mesmo
sabendo-se da existência de um sopro inocente nesta faixa
etária ().
Em segundo lugar, pode-se considerar que devam ser investigadas
algumas condições gestacionais e antecedentes familiares
e/ou pessoais que se associam a um risco maior de acometimento cardiovascular,
mesmo na ausência de alterações na ausculta
cardíaca (,).
Malformações, como comunicação interventricular
(CIV), PCA, coarctação da aorta, TGA e miocardiopatia
hipertrófica estão freqüentemente associadas
a diabetes durante a gestação, e os filhos de mães
com lúpus eritematoso sistêmico, ou outras doenças
do colágeno podem ter bloqueio cardíaco congênito
e defeitos do septo atrioventricular. Se a mãe têm
crises convulsivas, a medicação usada na gestação
pode ser teratogênica (uso de hidantoína e ocorrência
de estenose pulmonar e aórtica, coarctação
da aorta, PCA); assim como o uso de outros medicamentos (anfetaminas,
lítio, progesterona, estrógeno), álcool e drogas
podem ter efeito semelhante e estão associadas principalmente
a CIV, transposição de grandes vasos, Tetralogia de
Fallot e PCA. Hipertensão arterial e as infecções
durante a gestação representam um risco maior de prematuridade
e, portanto, de PCA; porém, as infecções durante
o primeiro trimestre são potencialmente teratogênicas,
podendo resultar em cardiopatias complexas, e aquelas que ocorrem
no último trimestre podem causar miocardites, ou outros processos
inflamatórios cardíacos, principalmente nos casos
de rubéola, citomegalovírus, herpesvírus, coxsackie
tipo B e vírus da imunodeficiência humana ().
O antecedente de cardiopatia congênita nos pais e irmãos
é muito importante, pois eleva o risco de ocorrência
de lesões iguais ou similares em 3, 4 ou até 10 vezes,
especialmente se a mãe e/ou mais de um familiar for acometido.
Alguns tipos de cardiopatia, como prolapso de válvula mitral
e os defeitos do septo interventricular, têm alto risco de
recorrência, enquanto atresia tricúspide e persistência
de tronco arterioso apresentam baixas taxas de recorrência
familiar. Febre reumática, hipertensão arterial e
doença coronariana também têm índices
elevados de recorrência familiar (,).
Morte súbita inexplicada na infância ou adulto jovem
é um antecedente que deve ser valorizado. Sabe-se que a miocardiopatia
hipertrófica, que tem uma herança genética
em 20% a 60% dos casos, pode cursar assintomática durante
anos e manifestar-se somente em situações especiais,
daí a preocupação com adolescentes que tenham
este antecedente e que optam por atividades físicas competitivas
().
Pacientes com doenças hereditárias como mucopolissacaridoses,
distrofias musculares (tipo Duchenne), neurofibromatose, osteogênese
imperfecta, esclerose tuberosa, anemia falciforme, arritmias congênitas
e outras devem ter avaliação cardiovascular não
somente na ocasião da detecção da patologia,
mas durante toda a vida, uma vez que alterações estruturais
podem surgir no curso da doença. De uma forma geral, sabe-se
que, nas crianças com malformações congênitas
em outros sistemas, as alterações cardiovasculares
ocorrem em 25% dos casos, e em síndromes genéticas,
como a de Marfan, existe a possibilidade dessas alterações
ocorrerem tanto na infância quanto na adolescência (,)
(Tabela 2).
Tabela 2 - Síndromes genéticas, malformações congênitas e freqüência das cardiopatias congênitas
Diante destas características das cardiopatias na infância,
tem-se discutido a importância da monitorização
do desenvolvimento cardiovascular fetal através do ecocardiograma
fetal.
Tal procedimento não é feito de rotina, mas um estudo
mais detalhado poderia ser indicado em situações de
risco: fetal (arritmias, anomalias extracardíacas, hidropsia
fetal, suspeita de anomalias cromossômicas, suspeita de doença
cardíaca no ultra-som gestacional), materno (mãe com
cardiopatia congênita, diabetes, doença do colágeno,
história pregressa de ingestão de drogas, álcool,
medicamentos) e familiar (cardiopatia congênita nos parentes
de primeiro grau, doenças hereditárias, síndromes
genéticas). Esta conduta possibilitaria um atendimento neonatal
imediato mais adequado e maior sobrevida dos portadores de cardiopatias
complexas ().
Avaliação clínica
Diante da detecção de sopro cardíaco durante
consulta de rotina e no paciente assintomático, tem-se a
possibilidade da existência de uma cardiopatia ainda não
diagnosticada, de sopro inocente ou que outra doença esteja
causando a alteração da ausculta, de forma transitória
ou não. Portanto, a avaliação geral da criança
é tão importante quanto a específica do sistema
cardiovascular (,,).
Alteração no padrão de crescimento e/ou desenvolvimento,
embora inespecífica, sugere uma doença grave, cardíaca
e/ou em outros sistemas, e não sopro inocente. O comprometimento
ponderal pode ocorrer nas disfunções ventriculares
com baixo débito e nos grandes shunts esquerda-direita
com hipertensão pulmonar, estes também associados
a quadros de pneumonia de repetição e/ou crises recorrentes
ou persistentes de sibilância pulmonar. Já o acometimento
pondoestatural e do desenvolvimento podem ocorrer nas cardiopatias
cianogênicas com hipofluxo pulmonar, que levam à hipoxemia
grave e/ou ao tromboembolismo. O aspecto geral da criança
pode indicar uma síndrome genética ou doença
hereditária, assim como revelar um estado de desconforto
que orientaria para um encaminhamento de urgência. Alguns
antecedentes mórbidos são importantes, como vômitos
e regurgitações freqüentes (sugerindo malformações
vasculares compressivas), artrite e/ou artralgia (sugerindo cardiopatias
adquiridas, como febre reumática, miocardites infecciosas);
pneumonias de repetição e/ou quadros de sibilância
perenes ou graves (sugerindo cardiopatias com hiperfluxo pulmonar
tipo CIA ou CIV) e, principalmente, a anemia, que pode causar alterações
transitórias da ausculta cardíaca (estado hipercinético),
evoluir com acometimento do sistema cardiovascular (anemia falciforme),
agravar os quadros de insuficiência cardíaca e dificultar
a avaliação da cianose nos indivíduos normais
e naqueles com cardiopatias cianogênicas (,,).
Por outro lado, existe uma sintomatologia que se correlaciona fortemente
com a ocorrência de doenças cardiovasculares e que
deve ser adequadamente avaliada na criança com sopro, a saber:
arritmias cardíacas, cianose, crises hipoxêmicas, síncope,
dor torácica, dificuldade para se alimentar e/ou sudorese
excessiva de pólo cefálico, intolerância aos
exercícios, cefaléia e hipertensão arterial
(principalmente em crianças de baixa idade), taquidispnéia,
edema e hepatoesplenomegalia. As arritmias e a cianose são
muito indicativas das cardiopatias, enquanto outros sinais e sintomas
são comuns a várias outras doenças. As crianças
com arritmias devem sempre ser encaminhadas para investigação
e, da mesma forma, aquelas com cianose perioral e de leito ungueal,
desde que diferenciada da cianose vasomotora benigna e ocorrendo
em níveis adequados de oxigenação e de hemoglobina,
sabendo-se que níveis de hemoglobina abaixo de 8 mg/dl tornam
a cianose praticamente imperceptível, inclusive nos portadores
de shunt direito-esquerdo (,,,).
Lactentes com insuficiência cardíaca congestiva ou
shunt esquerdo-direito podem apresentar-se com dificuldade
para se alimentar e com sudorese excessiva de pólo cefálico,
palidez e irritabilidade, e estas também podem ser as manifestações
dos distúrbios do ritmo cardíaco nesta idade. Principalmente
a alimentação ao seio representa um grande esforço
para o lactente, comparável à intolerância aos
exercícios, que necessita avaliação adequada
nas crianças maiores em relação ao tipo de
sintomatologia apresentada e ao grau de restrição,
sendo importante comparar com as habilidades anteriormente adquiridas,
o estilo de vida, práticas esportivas habituais e o rendimento
em relação aos colegas da mesma idade. O grau de intolerância
aos exercícios é diretamente proporcional à
gravidade da insuficiência cardíaca nos pacientes cardiopatas
(,).
A síncope é a perda de consciência, rápida
e súbita, que ocorre com exercício ou repouso e pode
ser causada por cardiopatias com hipofluxo arterial cerebral (como
estenose aórtica grave), arritmias, doenças neurológicas
e metabólicas e outras. Pode ser a manifestação
inicial da miocardiopatia hipertrófica durante uma atividade
física, mesmo sem alteração auscultatória
prévia ().
Deve ser diferenciada da crise hipoxêmica, que constitui uma
seqüência de eventos que indicam uma situação
de hipoxemia grave e acidemia, que pode levar ao coma e à
morte pacientes com cardiopatias cianogênicas como Tetralogia
de Fallot, transposição de grandes artérias,
atresia tricúspide e estenose pulmonar. A crise hipoxêmica
pode ser desencadeada por exercícios, choro, despertar, defecação,
e as crianças maiores, à percepção da
crise, em geral assumem uma posição defensiva de cócoras,
enquanto os lactentes podem assumir uma posição preferencial
para dormir com os joelhos junto ao tórax ().
A dor torácica é o segundo motivo mais freqüente
de encaminhamento para o cardiologista, embora as cardiopatias sejam
responsáveis somente por 4% a 6% destes casos na infância
(,).
A dor torácica aguda pode ser causada por pericardite, traumatismos,
pleurite, pneumonia, asma ou corpo estranho esofágico, enquanto
a dor torácica recorrente ou crônica pode estar associada
à distensão muscular, costocondrite, esofagite, prolapso
de válvula mitral, coronariopatias congênitas e adquiridas,
asma ou arritmia. Dor anginosa na infância pode ocorrer nas
cardiopatias obstrutivas graves do coração esquerdo,
como estenose aórtica, estenose subaórtica hipertrófica,
miocardiopatia hipertrófica e na doença de Kawasaki.
Nos casos raros de coronárias anômalas, esta dor pode
se manifestar nos primeiros dias de vida, como um estado de irritabilidade
excessiva. O prolapso de válvula mitral e as sensações
de arritmias, palpitações e taquicardia podem ser
referidos pela criança como dor torácica, e não
como alterações dos batimentos cardíacos (,,).
A cefaléia pode ser manifestação da hipertensão
arterial sistêmica e, quando ocorre associada à síncope,
pode ser parte da sintomatologia inicial de fenômenos vasculares
obstrutivos.
O exame físico geral detalhado fornece dados que auxiliam
principalmente na separação entre sopros inocentes
e patológicos, e que devem ser valorizados sabendo-se das
dificuldades na ausculta cardíaca na criança e das
limitações do treinamento do pediatra para diagnosticar
alterações específicas (,,).
As medições habituais das freqüências cardíaca
e respiratória, pressão arterial, peso, altura e outras
devem ser feitas repetidas vezes, com a criança tranqüila,
e interpretadas de acordo com os padrões por faixa etária.
Freqüência respiratória igual ou superior a 60
movimentos por minuto, em repouso, é anormal mesmo em recém-nascido,
e taquipnéia, com ou sem dispnéia, pode sugerir falência
do coração esquerdo. A medida da pressão arterial
nos quatro membros é obrigatória para o diagnóstico
da coarctação da aorta, considerando-se uma diferença
igual ou superior a 20 mmHg, com hipotensão em membro inferior,
como significativa, assim como deve-se pesquisar a simetria dos
pulsos. O aspecto geral da criança pode sugerir doenças
hereditárias ou genéticas, e a presença de
palidez, sudorese fria em pólo cefálico, com ou sem
cianose e sem anemia, sugere insuficiência cardíaca
congestiva. Baqueteamento digital, alterações de perfusão,
circulação colateral, artrite, eritema marginado e
outras alterações devem ser pesquisadas, assim como
a presença de edema, hepatomegalia, estase jugular, que ocorrem
nas descompensações do coração direito.
A hepatoesplenomegalia é mais freqüente na endocardite
bacteriana e anemias graves, e no exame do abdome deve-se fazer
a ausculta em busca de sopros que possam sugerir fístulas
arteriovenosas ou aneurismas. A região cervical também
deve ser avaliada em busca de alterações do pulso,
de sopros, de frêmitos, de batimentos visíveis ou palpáveis
em fúrcula (sugestivos de estados hipercinéticos,
doenças da aorta e da valva aórtica) e exame da tireóide
(,).
No exame do tórax da criança com sopro, o abaulamento
precordial pode sugerir hipertrofia cardíaca crônica,
principalmente de ventrículo esquerdo, e a presença
do sulco de Harrison pode apontar para grandes shunts esquerdo-direito
e raquitismo. Pectus carinatum ou excavatum podem
associar-se a cardiopatias, como prolapso de válvula mitral,
mas raramente à cardiomegalia, e alteram a silhueta cardíaca
na radiografia de tórax. Em cardiopatias com hiperfluxo pulmonar,
como PCA, CIV, insuficiência aórtica e mitral, tem-se
a sensação de que o tórax está "ativo":
ocorre aumento do diâmetro ântero-posterior, as impulsões
cardíacas são visíveis e o ictus cordis
está desviado. Porém, em crianças magras, o
ictus e as impulsões cardíacas podem ser normalmente
visíveis, mas sem desvios do eixo cardíaco. Na palpação
do tórax, busca-se a localização e extensão
do ictus e a presença de frêmitos ().
No recém-nascido, a posição horizontalizada
do coração faz com que o ictus seja palpável
no 4° espaço intercostal esquerdo (EICE) para fora, à
esquerda da linha hemiclavicular, e no escolar e adultos, no 5°
EICE para dentro da linha hemiclavicular. Desvios ocorrem nas hipertrofias
de câmaras cardíacas, pneumopatias, alterações
de posição do diafragma e da coluna vertebral.
A detecção de frêmito é sempre sugestiva
de cardiopatia, principalmente associado ao sopro. Se ocorre na
borda esternal esquerda alta, sugere estenose pulmonar e de artérias
pulmonares; na borda esternal esquerda baixa, CIV; na borda esternal
direita alta, estenose aórtica; na fúrcula esternal,
estenose aórtica, PCA ou coarctação da aorta.
A palpação dos pulsos é também muito
importante: pulsos de grande amplitude nas extremidades superiores
e fracos ou ausentes em membros inferiores sugerem coarctação
da aorta, e os de grande amplitude ocorrem nos estados hipercinéticos,
PCA com repercussão hemodinâmica, grandes fístulas
arteriovenosas sistêmicas, insuficiência aórtica
(pulso em martelo d´água) e nos prematuros. Pulsos
de baixa amplitude associam-se ao coração esquerdo
hipoplásico, traumas locais, às taquiarritimias, insuficiência
cardíaca e choque (baixo débito cardíaco);
os pulsos assimétricos associam-se com malformações
vasculares regionais, coarctação da aorta (pulso radial
direito mais amplo que o esquerdo) (,,).
A ausculta cardíaca deve ser sistematizada, realizada com
a criança calma e repetidas vezes, avaliando-se as bulhas
nos focos em que são normalmente mais audíveis. Assim,
a primeira bulha (fechamento das valvas atrioventriculares no início
da sístole ventricular) deve ser avaliada nos focos do ápice,
e a segunda, nos focos da base, sendo que a detecção
de terceira e quarta bulhas (galope) são sugestivas de cardiopatia.
A maior dificuldade na criança é a ausculta da segunda
bulha (fechamento assincrônico das valvas semilunares, aórtica
e pulmonar, nesta ordem), que é um som normalmente desdobrado
com a respiração, aumentando na inspiração
e diminuindo ou tornando-se único com a expiração.
A ausência do desdobramento (segunda bulha única) ou
desdobramento amplo, usualmente indica anormalidade. A primeira
bulha muito raramente é desdobrada e, quando ocorrem sons
anormais, deve-se diferenciar de cliques de ejeção
da estenose pulmonar e de quarta bulha (galope atrial). Outras alterações
da ausculta cardíaca igualmente importantes são hiperfonese
ou hipofonese de bulhas, desdobramentos fixos, cliques e estalidos
(,,,,).
Caracterização
dos sopros cardíacos inocentes
Os sopros inocentes, que ocorrem em um sistema cardiovascular normal,
têm características em comum, a saber são mais
facilmente audíveis nos estados circulatórios hipercinéticos;
são sistólicos ou contínuos; nunca ocorrem
isoladamente na diástole; têm curta duração
e baixa intensidade (1+/4+); não se associam a frêmito
ou a ruídos acessórios (estalidos, cliques); localizam-se
em uma área pequena e bem definida; não se associam
a alterações de bulhas; ocorrem na ausência
de história prévia de sopro, ou de evidências
compatíveis com doença cardíaca adquirida e
associam-se com radiografia de tórax e eletrocardiograma
normais, embora possam ocorrer alterações no ecocardiograma,
como o achado de falso tendão no ventrículo esquerdo
(,,).Os
sopros inocentes mais freqüentes na criança são
sopro vibratório de Still, de ejeção pulmonar,
de ramos pulmonares, supraclavicular e zumbido venoso. A origem
dos sopros inocentes ainda é controversa. Na maioria das
vezes, atribui-se sua origem em fluxos turbulentos, originados em
áreas de estreitamento na saída dos ventrículos
esquerdo (sopro de Still) ou direito (sopro de ejeção
pulmonar), ou em áreas de ramificações de artérias
(sopro supraclavicular), e, no caso do zumbido venoso, à
turbulência originada no retorno venoso na confluência
das veias inominada, jugular interna e subclávia direita.
Estes fluxos turbulentos provavelmente são mais audíveis
na criança porque as vias de saída são proporcionalmente
mais estreitadas, e as estruturas cardíacas ficam mais próximas
da parede torácica, que é mais delgada em comparação
ao adulto (,,,).
O sopro de Still tem sido associado à presença de
falsos tendões ventriculares, porém, como a prevalência
deste achado é elevada em adultos (15%-20%), torna-se difícil
justificar o desaparecimento deste sopro, comum na infância,
durante a vida adulta ().
O sopro de Still é o mais freqüente, detectado em 75%
a 85% dos escolares, e raramente está presente em crianças
menores ou adolescentes. É melhor detectado na borda esternal
esquerda média ou entre a borda esternal baixa e o apêndice
xifóide, na posição supina; ocorre no começo
da sístole com características vibratórias,
baixa intensidade e nunca é rude ou muito barulhento. Pode
desaparecer com a pressão do aparelho sobre o tórax,
e a intensidade diminui com a posição ereta. O diagnóstico
diferencial é com CIV de pequeno diâmetro, miocardiopatia
hipertrófica e estenose subaórtica discreta, cujos
sopros não apresentam características musicais, são
de maior intensidade, não se alteram com a mudança
de posição e podem estar associados a frêmito
(Tabela 3).
Tabela 3 -
Diagnóstico diferencial dos sopros cardíacos inocentes
O sopro de ejeção pulmonar é encontrado em
crianças, adolescentes e adultos jovens, sendo mais freqüente
entre os 8 e os 14 anos de idade; é melhor audível
na borda esternal esquerda alta, protossistólico, ejetivo,
de baixa intensidade e não é vibratório como
o de Still. É melhor auscultado na posição
supina e exacerbado na presença de pectus excavatum,
tórax plano ou cifoescoliose. Tem como diagnóstico
diferencial CIA (que geralmente tem um desdobramento fixo da segunda
bulha) e estenose pulmonar valvar.
O sopro de ramos pulmonares ocorre com freqüência em
recém-nascidos, principalmente nos prematuros e naqueles
com baixo peso ao nascer; origina-se de uma hipoplasia relativa
dos ramos pulmonares direito e esquerdo e sua persistência
após os 6 meses de idade sugere uma estenose de ramos pulmonares
patológica. É melhor auscultado na borda esternal
esquerda alta, sendo ejetivo, sistólico, de baixa intensidade
e irradiando-se para os lados direito e esquerdo do tórax,
axilas e dorso. Esse é o sopro cardíaco inocente de
maior dificuldade para a avaliação pediátrica,
pois ocorre em uma faixa etária na qual é elevada
a incidência das cardiopatias; portanto, é um diagnóstico
a ser dado pelo cardiologista.
O sopro carotídeo ou sistólico supraclavicular pode
ser audível em crianças normais de qualquer idade,
sendo melhor auscultado acima das clavículas, na fossa supraclavicular
e/ou unilateralmente no pescoço, sobre as artérias
carótidas. Tem timbre baixo, início abrupto, na metade
ou dois terços da sístole e diminui a intensidade
ou desaparece com a hiperextensão dos ombros. No diagnóstico
diferencial, estão a estenose aórtica, a valva aórtica
bicúspide e a estenose pulmonar, sendo que, nestas patologias,
os sopros são de maior intensidade nos focos de base com
irradiação para o pescoço.
O zumbido venoso é o único sopro inocente contínuo;
ocorre nas crianças entre três e seis anos de idade
e é audível na parte anterior baixa do pescoço,
região supraclavicular, podendo-se estender para a área
infraclavicular da parede torácica anterior, bilateralmente.
Pode ser alterado ou desaparecer quando o paciente vira a cabeça
para o lado oposto ao do sopro, ou então quando se faz pressão
digital sobre a veia jugular. Seu diagnóstico diferencial
é com fístulas arteriovenosas cervicais e persistência
do canal arterial (PCA), sendo que nesta patologia o sopro tem os
componentes sistólico e diastólico bem audíveis,
e o som é mais intenso na região infraclavicular esquerda,
ou na borda esternal esquerda alta e associado à palpação
de pulsos periféricos amplos.
Características dos sopros patológicos
Os sopros patológicos têm também características comuns que sugerem
a existência de doença no sistema cardiovascular: ocorrência isolada
na diástole ou sopro contínuo; maior intensidade (2+/4+ ou mais)
ou timbre rude; irradiação bem nítida e fixa para outras áreas;
associação com sons cardíacos anormais (hiperfonese de bulhas, cliques
e estalidos) e/ou com frêmitos; associação com sintomatologia sugestiva
de cardiopatia, principalmente cianose e alterações de ritmo e alteração
na palpação dos pulsos; exames laboratoriais alterados, como presença
de alterações no tamanho e/ou na silhueta cardíaca, ou anormalidades
vasculares pulmonares na radiografia de tórax e alterações no eletrocardiograma
e/ou no ecocardiograma (,,,,).
Na identificação dos sopros patológicos, são de grande importância
o tempo de ocorrência dos sopros em relação ao ritmo cardíaco, a
transmissão dos sopros, os desdobramentos anormais da segunda bulha
e a detecção de sons e ruídos acessórios e frêmitos.
Os sopros sistêmicos de regurgitação, ou holossistólico, nunca
são sopros inocentes e associam-se à CIV ou estenoses mitral ou tricúspide. Os
de ejeção podem ser inocentes, como o sopro de Still, mas aqueles com características
de crescendo-decrescendo podem estar associados às estenoses ou deformidades de
valvas semilunares (aórtica e pulmonar). Os sopros diastólicos são sempre patológicos
e decorrem das insuficiências aórtica ou pulmonar e das estenose e alterações
de fluxo através das valvas mitral e tricúspide, assim como os sopros contínuos,
que se associam à PCA, coarctação da aorta, estenose de artéria pulmonar, exceto
no zumbido venoso. A transmissão do sopro também é um dado indicativo de cardiopatia;
assim, por exemplo, um sopro sistólico de ejeção, nos focos da base, que se transmite
bem para pescoço, sugere sopro aórtico; por outro lado, aquele que se transmite
bem para a região dorsal sugere sopro pulmonar.
Em relação aos desdobramentos da segunda bulha (S2),
temos que S2 amplamente desdobrada, única ou com desdobramentos
paradoxais é sempre considerada anormal, demonstrando alterações
que prolongam o tempo de ejeção de ventrículo direito, ou encurtamento
da ejeção do ventrículo esquerdo, ou distúrbios de condução elétrica
do coração. S2 hipofonética sugere ausência dos componentes
aórtico e pulmonar e, portanto, estenose destas valvas. S2 com desdobramento
fixo, não variável com a respiração, sugere CIA, e quando não há
desdobramentos audíveis em área tricúspide, sugere má posição dos
grandes vasos da base. Componente aórtico da S2 hiperfonético
sugere hipertensão arterial sistêmica ou dilatação da raiz da aorta.
O componente pulmonar hiperfonético sugere hipertensão pulmonar,
e o hipofonético sugere estenose pulmonar, Tetralogia de Fallot
ou estenose tricúspide.
Investigação laboratorial
A definição de sopro inocente inclui resultados normais
da radiografia de tórax, do eletrocardiograma e do ecocardiograma,
mas vários autores não apontam a necessidade destes
exames desde que a abordagem clínica inicial e o seguimento
sejam cuidadosos e revelem as características de normalidade
anteriormente citadas. Quando necessário um diagnóstico
mais detalhado, a melhor opção e a de menor custo
é o encaminhamento ao cardiologista, que solicitaria os exames
subsidiários mais adequados. A eventual solicitação
de exames deve ser postergada quando o sopro com características
de inocente é detectado na vigência de estados hipercinéticos
(,).
Na prática, o pediatra poderá avaliar exames já
realizados como, por exemplo, na situação de crianças
com crises de sibilância freqüentes ou pneumonias de
repetição, que trazem várias radiografias de
tórax realizadas em situações diferentes. As
radiografias de tórax podem ser exames úteis no diagnóstico
das cardiopatias, na avaliação das repercussões
pulmonares destas doenças e no diagnóstico diferencial.
Na avaliação da área cardíaca, as posições
adequadas são pôstero-anterior e perfil, na inspiração
e na posição ereta, considerando-se como normal na
criança um índice cardiotorácico (relação
entre o maior diâmetro transverso do coração
e o maior diâmetro interno do tórax) menor ou igual
a 0,6. Alterações da silhueta cardíaca podem
sugerir patologias nas seguintes situações: formato
de bota com hipofluxo pulmonar (Tetralogia de Fallot); formato de
boneco de neve (drenagem anômala total de veias pulmonares
supracardíacas) e formato ovóide, pedículo
estreitado, hiperfluxo pulmonar (transposição de grandes
artérias). Pode-se pensar em coarctação da
aorta, se o gradeado costal tiver marcas de erosão na borda
inferior.
Quando se avalia o tamanho das câmaras cardíacas, tem-se
que o aumento do átrio esquerdo pode ser detectado através
de um duplo contorno cardíaco, elevação do
brônquio fonte esquerdo e protrusão de átrio
esquerdo. O aumento do ventrículo esquerdo faz a ponta do
coração desviar-se para esquerda e para baixo (mergulha
no diafragma), e no perfil, ocorre deslocamento da borda cardíaca
inferior em direção à coluna. O aumento do
átrio direito gera uma proeminência na região
superior direita da silhueta cardíaca, enquanto do ventrículo
direito somente pode ser identificável se elevar a ponta
do coração, e no perfil, ocorrer perda do espaço
retroesternal. As patologias de grandes vasos alteram o pedículo
cardíaco. Na avaliação dos campos pulmonares,
os dados que sugerem hiperfluxo são aumento do hilo pulmonar
(tronco e artérias pulmonares) e trama vascular visível
nos ápices e terço lateral dos campos pulmonares,
enquanto aqueles relativos ao hipofluxo são imagens hilares
diminuídas, campos pulmonares escurecidos e vasculatura delgada,
sendo que imagens de opacificação difusa dos campos
pulmonares sugerem congestão venosa (,,).
Quando forem solicitados eletrocardiograma (ECG) e ecocardiograma,
deve-se cuidar para que sejam interpretados considerando-se suas
peculiaridades na criança. Em relação ao ECG,
a partir do nascimento, o padrão habitual é o de sobrecarga
fisiológica do ventrículo direito, que vai modificando-se
para sobrecarga do ventrículo esquerdo ().
Nas crianças de baixa idade, o ecocardiograma é geralmente
realizado sob sedação e, dada a pouca calcificação
esternal, a janela ecocardiográfica é maior, permitindo
melhor visualização do coração e dos
grandes vasos. A realização do estudo com mapeamento
de fluxo em cores detalha melhor pequenos defeitos, como comunicações
interventriculares apicais, pequenos canais arteriais e cardiopatias
complexas ().
Existem outras questões em relação aos exames
laboratoriais cardiovasculares na infância, como a realização
de exames preventivos para as doenças cardiovasculares do
adulto e exames nos praticantes de esportes regulares e extenuantes
().
A princípio, a vigilância sobre a obesidade, hipertensão
arterial, atividade física adequada e uso de tabaco e drogas
fazem parte da avaliação e orientação
pediátrica geral, mas a realização de exames
preventivos em relação às dislipidemias deve
ficar restrita às crianças que pertencem a grupos
de risco de tais distúrbios metabólicos e/ou com familiares
de primeiro grau portadores de doenças ateroscleróticas
().
Quanto a criança ou adolescente que pratica esportes extenuantes,
existe a preocupação com cardiopatias congênitas
ou adquiridas ainda não diagnosticadas, em especial, as comunicações
intercâmaras, a miocardiopatia hipertrófica, doença
de Kawasaki e outras que podem permanecer assintomáticas
por longos períodos de tempo e somente manifestarem-se durante
tais práticas, com risco de vida para o paciente. Aqui também
os antecedentes familiares e pessoais são importantes, especialmente
quando existe história familiar da miocardiopatia e queixas
de alterações respiratórias, crises hipertensivas,
dor torácica, síncope, resposta hipotensiva e intolerância
durante os exercícios. Nestas situações, a
solicitação de exames é mais complexa, e a
avaliação do cardiologista é a conduta mais
adequada (,).
Encaminhamento
ao especialista
Pode-se sugerir que em certas situações, algumas
urgentes e outras não, deva ser feito o encaminhamento para
o cardiologista para diagnóstico e conduta (,,,,),
a saber: quando o sopro cardíaco ou qualquer outra alteração
auscultatória tem as características que foram descritas
como patológico; quando um sopro com características
auscultatórias consideradas inocentes se acompanha de sintomatologia
e/ou alterações de exame físico sugestivas
de doença cardiovascular; quando as crianças pertencerem
a grupos de risco para doenças cardiovasculares, especialmente
a famílias nas quais é elevada a incidência
de cardiopatias congênitas e morte súbita e/ou precoce,
mesmo que não tenham alterações ao exame físico;
quando alterações de ausculta cardíaca e/ou
sintomatologia sugestiva de doença cardiovascular são
detectadas em crianças menores de um ano de vida, especialmente
no período neonatal; quando os pacientes que tiveram diagnóstico
inicial de sopro inocente mostram, durante o seguimento pediátrico,
modificações na ausculta cardíaca e/ou na história
clínica que possam sugerir uma doença cardiovascular;
quando os exames laboratoriais solicitados sugerirem alterações
cardiovasculares; as crianças com sinais e sintomas que possam
sugerir insuficiência cardíaca devem ser encaminhadas
com urgência, mesmo que não tenham alterações
auscultatórias; aqueles casos nos quais o diagnóstico
foi feito na vigência de um estado hipercinético, mas
as alterações clínicas e/ou auscultatórias
persistem após a resolução do problema de base,
especialmente quando se trata de doenças infecciosas.
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